“O Silêncio da Cidade Branca”, de Eva García Sáenz de Urturi, é um thriller policial envolvente que se passa na histórica cidade de Vitoria, no País Basco, e combina investigação criminal, tensão psicológica e elementos do passado que retornam para assombrar o presente. A narrativa gira em torno de uma série de assassinatos misteriosos que seguem um padrão ritualístico, despertando medo na população e desafiando as autoridades locais.
A história começa com a descoberta dos corpos de um casal jovem em uma cripta antiga. A cena do crime é cuidadosamente encenada, sugerindo que o assassino possui não apenas conhecimento sobre a cidade, mas também uma mente meticulosa e simbólica. O detalhe mais inquietante é que os crimes parecem imitar assassinatos ocorridos décadas antes, atribuídos a um criminoso que já havia sido capturado e condenado. Isso levanta uma questão perturbadora: como alguém pode repetir crimes com tamanha precisão se o responsável original ainda está preso?
O protagonista é Unai López de Ayala, conhecido como Kraken, um inspetor criminal experiente que enfrenta um momento delicado em sua vida pessoal. Marcado por traumas do passado e por um acidente recente que afetou sua capacidade emocional, ele precisa lidar com a pressão crescente de capturar um assassino que parece sempre estar um passo à frente. Ao seu lado está a nova subcomissária, Alba Díaz de Salvatierra, uma profissional determinada, mas que também guarda segredos que influenciam diretamente o andamento da investigação.
À medida que novos corpos são encontrados, sempre em locais emblemáticos da cidade e com vítimas jovens que compartilham características específicas, o caso se torna cada vez mais complexo. O assassino parece seguir um padrão que mistura simbolismo histórico, precisão cronológica e uma estranha conexão com o passado da própria cidade. Cada crime revela pistas que exigem não apenas raciocínio lógico, mas também um mergulho profundo na história e na cultura local.
Kraken, então, precisa revisitar antigas investigações e confrontar figuras do passado, incluindo o suposto assassino original, que agora se torna peça-chave na tentativa de entender o que está acontecendo. Ao mesmo tempo, ele enfrenta conflitos internos, dúvidas e a dificuldade de confiar plenamente nas pessoas ao seu redor. A relação com Alba também se desenvolve em meio à tensão, revelando camadas emocionais que vão além da investigação policial.
O livro constrói sua narrativa alternando momentos de ação intensa com passagens introspectivas, explorando não apenas o crime em si, mas também os efeitos psicológicos que ele provoca nos envolvidos. O leitor é conduzido por uma trama cheia de reviravoltas, onde cada nova descoberta levanta mais perguntas do que respostas. A cidade de Vitoria não é apenas cenário, mas parte essencial da história, com suas ruas antigas, edifícios históricos e atmosfera carregada de mistério.
Conforme a investigação avança, segredos antigos começam a vir à tona, revelando conexões inesperadas entre as vítimas, o passado da cidade e os próprios investigadores. A linha entre o certo e o errado se torna cada vez mais tênue, e Kraken precisa lidar com decisões difíceis que colocam em risco não apenas o sucesso da operação, mas também sua própria integridade emocional.
O clímax da história é marcado por revelações surpreendentes que reconfiguram tudo o que parecia certo até então. O verdadeiro responsável pelos crimes é alguém cuja motivação está profundamente enraizada em eventos passados, mostrando como traumas e injustiças podem ecoar ao longo do tempo. A resolução do caso não é apenas uma vitória policial, mas também um confronto com verdades dolorosas que afetam todos os personagens.
“O Silêncio da Cidade Branca” se destaca por sua construção detalhada, personagens complexos e uma trama que mantém o leitor envolvido do início ao fim. Ao combinar suspense, história e emoção, o livro oferece uma experiência rica e instigante, onde cada página contribui para a construção de um mistério que vai muito além de um simples crime, explorando as profundezas da mente humana e as marcas que o passado deixa no presente.
Autor: Diego Velázquez

