Na perspectiva de Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, a tecnologia no campo deixou de significar apenas máquinas maiores ou equipamentos mais modernos e passou a envolver sensores, drones, sistemas de gestão, conectividade e análise de dados, ferramentas que podem ajudar o produtor a identificar desperdícios, acompanhar lavouras e tomar decisões com maior precisão.
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Onde a tecnologia pode fazer diferença?
De acordo com Guilherme Campos, uma das aplicações mais diretas está no monitoramento da produção. Drones e imagens podem auxiliar na identificação de áreas que precisam de atenção, enquanto sensores e sistemas digitais permitem acompanhar informações sobre solo, clima, plantas e animais. A Embrapa aponta que essas ferramentas podem contribuir para uma gestão mais precisa das operações e para o uso mais eficiente de recursos.
Na pecuária, a tecnologia também pode apoiar o acompanhamento do rebanho, da alimentação e das condições das pastagens. Em Roraima, um seminário realizado em 2026 reuniu produtores e especialistas para discutir justamente genética, manejo, drones e gestão de propriedades como caminhos para elevar a produtividade. Isso mostra que a digitalização já está relacionada a problemas concretos do campo.
Drones não substituem planejamento
A presença de drones pode chamar atenção pela capacidade de monitorar grandes áreas ou executar determinadas operações, mas o equipamento sozinho não resolve os gargalos de uma propriedade. Seu resultado depende da finalidade definida pelo produtor, da qualidade das informações coletadas e da capacidade de transformar esses dados em uma ação adequada. Sem planejamento, o investimento pode não gerar o retorno esperado, especialmente quando a ferramenta é adquirida sem uma necessidade produtiva claramente definida.
No AgroBV 2026, realizado em Boa Vista, drones foram apresentados para atividades como pulverização, adubação, semeadura e monitoramento. A iniciativa também mostrou tecnologias adaptadas às condições de solo e clima de Roraima. Na avaliação de Guilherme Campos, essa demonstração reforça a importância de relacionar cada recurso tecnológico às características da propriedade, já que diferentes culturas, áreas e operações podem exigir soluções distintas. Antes de adquirir uma ferramenta, portanto, o produtor precisa identificar qual problema pretende solucionar e como o equipamento poderá contribuir para essa atividade.

Conectividade é parte da produtividade
Não adianta possuir equipamentos digitais se a propriedade não consegue transmitir ou acessar informações de maneira confiável. A conectividade é considerada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária uma infraestrutura essencial para a agricultura digital, pois permite o acesso a tecnologias, conhecimento e novas formas de organização dos processos produtivos. Na prática, uma conexão estável facilita o acompanhamento das operações, o envio de dados e o uso de ferramentas que dependem de comunicação entre máquinas, sistemas e dispositivos.
Segundo Guilherme Campos, esse aspecto é particularmente relevante em áreas rurais afastadas dos centros urbanos. Sem conexão adequada, aplicações que dependem de comunicação constante podem perder eficiência. Por isso, a modernização do campo envolve também infraestrutura de comunicação, capacitação e escolha de soluções compatíveis com a realidade de cada propriedade. Antes de investir em novas ferramentas, o produtor precisa verificar se a estrutura disponível consegue sustentá-las e quais alternativas podem funcionar mesmo diante das limitações de acesso à internet.
O investimento precisa responder a uma necessidade
Outro ponto é o custo. Guilherme Campos destaca que a agricultura digital não significa necessariamente começar pela solução mais sofisticada disponível. A tecnologia precisa apresentar utilidade proporcional ao problema enfrentado e ao tamanho da operação. Uma ferramenta simples, quando aplicada ao processo certo, pode gerar mais resultado do que um equipamento avançado utilizado sem planejamento.
Estudos da Embrapa sobre agricultura digital apontam que produtores identificam aumento de produtividade entre os benefícios percebidos, enquanto custos de aquisição e conectividade aparecem entre os principais desafios para a adoção tecnológica. Essa relação entre investimento e necessidade ajuda a explicar por que a transformação digital precisa ser gradual e orientada por objetivos.
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