A Cartomante é um dos contos mais conhecidos de Machado de Assis, publicado originalmente em 1884. A obra é marcada pelo realismo psicológico e pela ironia típica do autor, explorando temas como traição, superstição e as contradições do comportamento humano.
A narrativa gira em torno de um triângulo amoroso formado por Rita, seu amante Camilo e seu marido Vilela. Apesar de Rita e Camilo acreditarem estar vivendo uma paixão secreta e segura, a história revela desde o início a fragilidade dessa relação, baseada em enganos e inseguranças.
Camilo, em um momento de dúvida e medo, decide consultar uma cartomante para saber o futuro do romance. A mulher lhe garante que tudo ficará bem, reforçando sua falsa sensação de segurança. Esse episódio destaca um dos principais temas do conto: a crença no destino e na superstição como forma de aliviar angústias.
No entanto, a confiança de Camilo e Rita começa a se transformar em tensão à medida que o comportamento de Vilela se torna mais suspeito. Machado de Assis constrói uma atmosfera de suspense psicológico, sugerindo ao leitor que algo trágico está prestes a acontecer.
O desfecho do conto é surpreendente e cruel, revelando a ironia do destino e a fragilidade das decisões humanas baseadas em ilusões. A Cartomante mostra como o autor desconstrói a ideia de previsibilidade e expõe a natureza contraditória das relações humanas.
Assim, o conto se destaca como uma crítica à credulidade e ao autoengano, além de reforçar a genialidade de Machado de Assis na construção de narrativas curtas, densas e cheias de significado psicológico.

