O Apocalipse de Tiago é o nome dado a dois textos apócrifos preservados na biblioteca de Nag Hammadi, descoberta no Egito em 1945. Conhecidos como Primeiro Apocalipse de Tiago e Segundo Apocalipse de Tiago, esses escritos foram compostos provavelmente entre os séculos II e III d.C. e não fazem parte do cânon do Novo Testamento. As obras refletem tradições cristãs de caráter gnóstico, nas quais o conhecimento espiritual secreto ocupa papel central no caminho da salvação.
No Primeiro Apocalipse de Tiago, Jesus transmite ensinamentos reservados a Tiago, o Justo, tradicionalmente identificado como irmão de Jesus e líder da comunidade cristã de Jerusalém. O diálogo aborda a verdadeira natureza da alma, a estrutura do mundo espiritual e os desafios que o discípulo enfrentará após a morte. O texto ensina que o conhecimento divino permite à alma superar os poderes celestes que tentam impedir seu retorno ao reino espiritual.
O Segundo Apocalipse de Tiago apresenta uma narrativa mais extensa, combinando discursos de Jesus com o relato do testemunho e do martírio de Tiago. O personagem é retratado como um líder dotado de sabedoria espiritual excepcional, capaz de transmitir ensinamentos ocultos aos seus seguidores. A obra enfatiza a coragem diante da perseguição e descreve a morte de Tiago como parte de sua missão espiritual.
Um dos temas centrais dos Apocalipses de Tiago é a gnose, entendida como o conhecimento que desperta a alma para sua origem divina. Diferentemente da tradição cristã predominante, esses textos afirmam que a libertação espiritual depende da compreensão dos mistérios do universo e da identidade verdadeira do ser humano. A linguagem simbólica e visionária aproxima essas obras de outros escritos gnósticos encontrados em Nag Hammadi.
Embora não sejam considerados relatos históricos sobre Tiago ou sobre Jesus, os Apocalipses de Tiago possuem grande importância para os estudos do cristianismo primitivo. Eles revelam a diversidade de crenças existentes nos primeiros séculos da era cristã e mostram que diferentes comunidades preservavam interpretações distintas sobre a figura de Jesus, o papel de Tiago e o significado da salvação.
Atualmente, o Primeiro e o Segundo Apocalipse de Tiago são estudados por historiadores, teólogos e especialistas em literatura antiga como documentos fundamentais da tradição gnóstica. Além de ampliarem o conhecimento sobre a pluralidade do cristianismo antigo, essas obras ajudam a compreender os debates teológicos que antecederam a formação do cânon do Novo Testamento e a consolidação das doutrinas cristãs tradicionais.

