A 12ª edição do Prêmio ABEU chega à fase final com uma seleção que aproxima pesquisa, literatura, tradução e design editorial. Ao todo, 27 obras foram escolhidas para disputar o reconhecimento promovido pela Associação Brasileira das Editoras Universitárias, entidade que reúne editoras ligadas a universidades e instituições de pesquisa no Brasil. A cerimônia que definirá os vencedores está marcada para 25 de novembro de 2026, às 18h30, no auditório da Academia Paulista de Letras, em São Paulo.
Segundo a lista oficial publicada pela Associação Brasileira das Editoras Universitárias, os títulos estão distribuídos em nove categorias. A relação foi organizada em ordem alfabética dentro de cada área e não indica a classificação dos concorrentes. O resultado final, portanto, será conhecido somente durante a solenidade na capital paulista.
Obras acadêmicas dividem espaço com literatura e tradução
A variedade temática é um dos principais traços da edição de 2026. A premiação contempla Ciências Humanas, Ciências Naturais e Matemáticas, Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências da Vida, Linguística, Letras e Artes, Literatura Infantojuvenil, Projeto Gráfico e Tradução. A seleção inclui livros produzidos por editoras universitárias, órgãos de pesquisa e instituições culturais de diferentes regiões do país.
Na categoria Linguística, Letras e Artes, aparecem títulos como Mirada do invisível: limiares dos cinemas indígenas, de André Brasil, publicado pela Editora UFMG; Conversas sobre Literatura, Amazônia e o mundo literário: escritores contam suas experiências, da Editora UNEMAT; e Tecedora de Histórias, Tecedora de Vidas: A trajetória griô de Vovó Cici de Oxalá, da Eduefs. São obras que conectam reflexão acadêmica, memória, cultura e diferentes formas de expressão artística.
O diálogo com o público não especializado também aparece em outras áreas. Entre os finalistas de Ciências Sociais Aplicadas está Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: desafios para o Brasil, organizado por Ricardo Abramovay e Arilson Favareto e lançado pela Editora Senac São Paulo. Já em Ciências Naturais e Matemáticas, a lista inclui livros sobre sustentabilidade na Amazônia e no Pantanal, alternativas ambientais e plantas oleaginosas para a produção de biodiesel no Paraná.
Prêmio destaca bibliodiversidade e circulação do conhecimento
Em reportagem publicada em 19 de outubro, o PublishNews informou que a edição reúne 27 obras finalistas e três menções honrosas concedidas pelo júri. De acordo com o veículo especializado, a seleção foi apresentada pela organização como um retrato da pluralidade da ciência e da literatura brasileiras, com trabalhos de universidades públicas e privadas, institutos de pesquisa e fundações culturais.
Esse recorte amplia a percepção sobre o papel das editoras universitárias no mercado editorial. Além de publicar resultados de pesquisas, essas casas editoriais também lançam ensaios, dicionários, livros ilustrados, obras de literatura para crianças e traduções de textos clássicos. O prêmio dá visibilidade a títulos que muitas vezes circulam inicialmente em ambientes acadêmicos, mas podem alcançar leitores interessados em história, cultura, ciência, educação e sociedade.
A própria ABEU apresentou a edição de 2026 como parte de um movimento de valorização da produção acadêmica e de aproximação entre conhecimento especializado e público amplo. Em informação divulgada durante o período de inscrições, a associação explicou que a premiação reconhece obras acadêmicas, científicas, técnicas e literárias publicadas por editoras universitárias ou acadêmicas brasileiras. O regulamento também estabeleceu que as obras concorrentes deveriam corresponder, em geral, a primeiras edições publicadas em 2025.
Literatura infantojuvenil e projeto gráfico integram a disputa
A presença da categoria Literatura Infantojuvenil reforça que o prêmio não se limita aos livros de pesquisa destinados a especialistas. Entre os finalistas estão A dança das memórias, Isabela; Grão e Patrimônio: Histórias de um bairro em quadrinhos. A seleção evidencia o interesse por obras que trabalham memória, identidade, território e formação de leitores em diferentes linguagens.
O projeto editorial também recebe avaliação própria. Na categoria Projeto Gráfico, concorrem Arilda: arquiteta, urbanista, paisagista, a coleção Artistas da USP e Fotografia rizomática e o trajeto da Estrada Imperial Dona Francisca revelado na cartografia de memórias. Em Tradução, a lista reúne Milton: um poema em dois cantos, Montaigne epistolar: correspondência completa de Michel de Montaigne e O Cantar do Roldão / Chanson de Roland.
Com a divulgação dos vencedores prevista para novembro, o Prêmio ABEU 2026 coloca em evidência a diversidade de formatos, temas e públicos atendidos pela edição universitária brasileira. Mais do que reconhecer autores e editoras, a premiação apresenta ao leitor um conjunto de obras que participa da circulação de ideias, da preservação da memória e da formação cultural no país.

