Leonardo da Vinci, biografia escrita por Walter Isaacson e publicada em 2017, apresenta a trajetória de uma das figuras mais extraordinárias do Renascimento. Conhecido por obras como Mona Lisa e A Última Ceia, Leonardo também se dedicou intensamente à anatomia, engenharia, arquitetura, matemática, natureza e estudos sobre o voo. Isaacson procura mostrar que sua genialidade não estava apenas na capacidade de produzir grandes obras, mas principalmente na curiosidade permanente que o levava a investigar assuntos muito diferentes entre si.
A biografia acompanha Leonardo desde seu nascimento, em 1452, na cidade de Vinci, até sua morte, em 1519, na França. Filho ilegítimo de um tabelião, ele não recebeu a educação tradicional destinada às elites intelectuais de seu período. Em vez de limitar suas possibilidades, essa formação incompleta contribuiu para que desenvolvesse uma maneira mais independente de observar o mundo. Ainda jovem, mudou-se para Florença e entrou no ambiente artístico de Andrea del Verrocchio, onde teve contato com pintura, escultura, técnicas mecânicas e diferentes formas de conhecimento.
Um dos pontos centrais do livro é a importância dos cadernos de Leonardo. Neles, o artista registrava desenhos, observações, perguntas, cálculos e ideias sobre fenômenos naturais. Isaacson utiliza esse material para reconstruir a maneira como Leonardo pensava. Seus estudos sobre músculos, ossos, órgãos, água, luz, aves e máquinas mostram que arte e ciência não eram áreas separadas para ele. A observação detalhada da natureza servia tanto para compreender o funcionamento do mundo quanto para tornar suas pinturas mais realistas.
A relação entre curiosidade e criatividade também é fundamental na interpretação apresentada por Isaacson. Leonardo frequentemente abandonava projetos ou demorava anos para concluí-los porque sua atenção era atraída por novas perguntas. Embora esse comportamento pudesse causar frustração em seus contratantes, também estava relacionado à sua capacidade de explorar diferentes possibilidades. O autor apresenta Leonardo menos como um gênio que possuía respostas para tudo e mais como alguém que fazia perguntas constantemente e aceitava investigar aquilo que ainda não compreendia.
A biografia também aborda algumas das obras mais famosas de Leonardo, incluindo Mona Lisa e A Última Ceia. Isaacson analisa os métodos utilizados pelo artista e relaciona suas escolhas pictóricas aos estudos de anatomia, perspectiva, luz e expressão humana. No caso da Mona Lisa, por exemplo, o conhecimento de Leonardo sobre percepção visual e características da natureza ajuda a compreender a complexidade da pintura. A obra mostra como suas pesquisas científicas estavam profundamente conectadas ao desenvolvimento de sua arte.
Leonardo da Vinci, de Walter Isaacson, apresenta, assim, um personagem cuja importância ultrapassa a imagem tradicional do artista genial. Leonardo aparece como um investigador incansável, interessado em compreender desde o funcionamento do corpo humano até o movimento da água e a possibilidade de máquinas voadoras. A biografia sugere que sua maior qualidade talvez tenha sido justamente a capacidade de combinar áreas diferentes do conhecimento. Para Isaacson, a história de Leonardo continua relevante porque demonstra como curiosidade, observação, experimentação e disposição para questionar ideias estabelecidas podem produzir formas extraordinárias de criatividade.

