Publicado em 1933, Doidinho, de José Lins do Rego, é o segundo livro do chamado Ciclo da Cana-de-Açúcar, série de romances que retrata a sociedade nordestina e as transformações vividas no início do século XX. A obra dá continuidade à história de Carlos de Melo, personagem apresentado em Menino de Engenho, acompanhando sua passagem da infância para a adolescência durante os anos em que estuda em um internato.
Na narrativa, Carlos deixa o ambiente rural dos engenhos para enfrentar a disciplina rígida, a solidão e os desafios da convivência no colégio. Longe da família, o jovem vivencia conflitos internos, faz novas amizades e passa por experiências que contribuem para sua formação pessoal. O romance explora os sentimentos de insegurança, amadurecimento e descoberta que marcam essa fase da vida.
Ao mesmo tempo, José Lins do Rego utiliza a trajetória do protagonista para abordar questões sociais e educacionais da época. O autor retrata o cotidiano dos internatos, os métodos de ensino, as diferenças entre classes sociais e os valores presentes na sociedade brasileira, construindo uma narrativa que combina elementos autobiográficos com uma crítica às instituições e aos costumes do período.
A escrita simples e envolvente é uma das características marcantes da obra, permitindo que o leitor acompanhe de perto os pensamentos e emoções de Carlos. Com sensibilidade, o autor descreve as dificuldades do crescimento e o impacto das mudanças vividas pelo personagem, tornando Doidinho um importante romance de formação da literatura brasileira.
Considerado um dos clássicos do regionalismo modernista, Doidinho permanece relevante por tratar de temas universais como identidade, educação, amizade e amadurecimento. A obra reforça a importância de José Lins do Rego na literatura nacional e continua sendo leitura frequente em escolas, universidades e estudos sobre o Modernismo brasileiro.

