A Bolsa Amarela, publicado em 1976, é uma das obras mais conhecidas de Lygia Bojunga e um marco da literatura infantojuvenil brasileira. O romance acompanha Raquel, uma menina que enfrenta dificuldades para ser compreendida pela família e pela sociedade. Por meio de uma narrativa repleta de imaginação e simbolismo, a autora aborda questões relacionadas ao crescimento, à construção da identidade e ao direito de expressar sentimentos e desejos.
A protagonista guarda dentro de uma bolsa amarela seus maiores segredos e vontades, entre eles o desejo de crescer, de ser escritora e de ter nascido menino. Esses desejos representam os conflitos vividos por muitas crianças que buscam encontrar seu lugar no mundo. Ao longo da história, a bolsa torna-se um espaço simbólico onde Raquel organiza suas emoções, medos e sonhos, permitindo ao leitor acompanhar seu processo de amadurecimento.
Um dos grandes diferenciais da obra é a maneira como Lygia Bojunga mistura fantasia e realidade para tratar de temas profundos com leveza. Personagens inusitados, situações imaginárias e objetos cheios de significado ajudam a construir uma narrativa envolvente, capaz de dialogar tanto com o público infantil quanto com leitores adultos. A autora convida o leitor a refletir sobre liberdade, criatividade, autoestima e respeito às diferenças.
Além de seu valor literário, A Bolsa Amarela também apresenta importantes reflexões sobre os papéis sociais impostos às crianças e às mulheres. A narrativa questiona preconceitos, limitações e expectativas que muitas vezes impedem as pessoas de desenvolver plenamente sua personalidade. Essa abordagem inovadora contribuiu para tornar o livro uma referência na literatura brasileira voltada ao público jovem.
Vencedor de importantes prêmios e traduzido para diversos idiomas, A Bolsa Amarela permanece atual décadas após sua publicação. A obra continua sendo adotada em escolas, indicada em projetos de leitura e estudada por sua riqueza narrativa e por suas mensagens sobre autoconhecimento, liberdade e valorização da individualidade, consolidando Lygia Bojunga como uma das maiores escritoras da literatura brasileira.

