“O Mestre e Margarida”, de Mikhail Bulgákov, é um dos romances mais complexos e fascinantes da literatura russa. Escrito entre 1928 e 1940, mas publicado apenas postumamente, em 1967, a obra mistura realismo, fantasia e sátira para criticar a sociedade soviética da época.
A narrativa se passa em Moscou na década de 1930 e acompanha a chegada do misterioso Woland, um estrangeiro que se revela como uma encarnação do diabo. Acompanhado por um grupo bizarro, incluindo o gato falante Behemoth e o sinistro Korôviev, Woland começa a espalhar o caos entre a elite intelectual e burocrática da cidade, expondo sua hipocrisia e corrupção.
Paralelamente, a história acompanha o Mestre, um escritor frustrado que escreveu um romance sobre Pôncio Pilatos, mas teve sua obra rejeitada e caiu em desespero. Enclausurado em um hospital psiquiátrico, ele perde a esperança, até que sua amada, Margarida, faz um pacto com Woland para ajudá-lo.
Margarida, uma das personagens mais marcantes da literatura, aceita se tornar uma bruxa e participar de um baile satânico organizado por Woland. Com poderes sobrenaturais, ela voa por Moscou e confronta aqueles que prejudicaram o Mestre. Sua jornada a leva ao reencontro com o amado e ao resgate da obra perdida.
Enquanto isso, o romance dentro do romance nos transporta para a Jerusalém do século I, onde Pôncio Pilatos julga e condena Jesus, aqui chamado de Yeshua Ha-Nozri. Essa narrativa paralela se entrelaça com a principal, refletindo temas de culpa, poder e redenção.
Bulgákov constrói uma crítica feroz ao regime soviético, ironizando a censura, a burocracia e a repressão intelectual. Ele cria personagens caricatos e situações absurdas para expor a paranoia e a falta de liberdade da época.
O romance mistura humor e tragédia, explorando o conflito entre bem e mal, liberdade e opressão. A figura de Woland desafia a visão tradicional do diabo, pois ele não apenas causa destruição, mas também justiça, punindo os corruptos e ajudando os protagonistas.
No desfecho, Woland liberta o Mestre e Margarida, concedendo-lhes uma espécie de eternidade em um mundo fora da realidade. O livro sugere que a verdadeira liberdade está na imaginação e na arte, longe da tirania do mundo real.
“O Mestre e Margarida” é uma obra-prima única, repleta de simbolismo e questionamentos filosóficos. Sua mistura de realismo mágico, crítica social e reflexão sobre a natureza do mal e da redenção faz dela uma leitura inesquecível.