“The Shape of Water” de Daniel Kraus e Guillermo del Toro é um romance que combina fantasia, romance e crítica social em uma história envolvente e visualmente rica. Baseado no filme vencedor do Oscar, dirigido por Guillermo del Toro, o livro expande o universo da trama, oferecendo um olhar mais profundo sobre os personagens e seus dilemas.
A história se passou nos Estados Unidos durante a Guerra Fria, na década de 1960, um período de flexibilização de políticas e segregação social. Elisa Esposito, a protagonista, é uma mulher nova que trabalha como faxineira em um laboratório do governo. Sua vida é solitária e marcada pela invisibilidade social, até que ela descobre uma criatura aquática mantida em cativeiro pelos cientistas do local.
Uma criatura, um ser anfíbio de aparência mística, foi capturada na Amazônia e é alvo de experimentos cruzados conduzidos pelo impiedoso coronel Richard Strickland. O governo americano acredita que ele pode ser a chave para vencer a corrida armamentista contra a União Soviética. No entanto, para Elisa, uma criatura representa algo muito diferente: um ser inteligente e sensível, capaz de compreender e se comunicar com ela de uma forma que ninguém mais consegue.
Com o tempo, Elisa e a criatura desenvolvem um vínculo especial, uma conexão baseada no silêncio, na empatia e no desejo de liberdade. No entanto, quando Elisa percebe que o governo pretende matar o ser aquático para estudá-lo, ela decide arriscar tudo para salvá-lo. Com a ajuda de seus amigos Giles, um artista solitário, e Zelda, sua colega de trabalho, ela elaborou um plano ousado para libertá-lo e devolvê-lo ao oceano.
O livro aprofunda as motivações e os passados dos personagens, revelando mais detalhes sobre Strickland e sua obsessão pela criatura, sobre Giles e seu desejo de liberdade em uma sociedade intolerante, e sobre Zelda e sua luta diária contra o racismo e o machismo da época. A narrativa explora não apenas o romance encontrado entre Elisa e a criatura, mas também temas como exclusão, preconceito e o poder transformador do amor.
Diferente do filme, a obra escrita mergulha mais fundo na psique dos personagens, mostrando suas angústias e inseguranças. Strickland, por exemplo, não é apenas um antagonista cruel, mas um homem atormentado por seus próprios demônios. Elisa, por sua vez, não é apenas uma jovem em busca de amor, mas uma mulher que deseja ser vista e ouvida em um mundo que a ignora.
Com uma prosa envolvente e poética, “The Shape of Water” oferece uma experiência emocional intensa, elevando a história a um nível ainda mais profundo. A ambientação, descrita em detalhes, cria uma atmosfera sombria e encantadora, típica das narrativas de Guillermo del Toro. O romance entre Elisa e a criatura desafia as convenções e questiona os limites do que significa ser humano.
Ao longo de suas páginas, o livro celebra a diversidade e a empatia, mostrando que o verdadeiro monstro pode não ser aquele que tem escamas, mas sim aquele que não consegue enxergar a beleza na diferença. “The Shape of Water” é uma obra poderosa e inesquecível, que mistura fantasia e realidade de forma magistral, deixando no leitor uma sensação de encanto e reflexão.