“A Teoria dos Precedentes no Direito Brasileiro” , de Teresa Arruda Alvim, é uma obra fundamental para a compreensão do papel dos precedentes no ordenamento jurídico do Brasil. A autora analisa detalhadamente como o sistema de precedentes, tradicionalmente associado ao direito consuetudinário, vem sendo incorporado ao direito brasileiro, especialmente após o novo Código de Processo Civil de 2015, que reforçou a vinculação às decisões judiciais anteriores.
A obra examina a natureza dos antecedentes, diferenciando-os de outros tipos de decisões judiciais e destacando sua função na promoção da segurança jurídica, da coerência e da previsibilidade do direito. Teresa Arruda Alvim explica como os fundamentos devem ser interpretados e aplicados, abordando conceitos como ratio decidendi e obiter dictum, essenciais para delimitar o alcance e a obrigatoriedade das decisões anteriores.
No contexto brasileiro, o autor discute a forma como os tribunais superiores, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), têm estruturado e consolidado precedente, destacando mecanismos como a repercussão geral, os recursos repetitivos e a súmula vinculante. Esses instrumentos visam garantir uniformidade e racionalização na prestação jurisdicional, diminuindo a insegurança decorrente de decisões conflitantes.
Teresa Arruda Alvim também abordou o impacto da vinculação dos precedentes na atividade dos juízes e advogados. Enquanto os magistrados devem seguir as decisões previamente previstas, salvo em casos devidamente justificados, os advogados precisam desenvolver estratégias jurídicas que levem em consideração a força dos precedentes e a possibilidade de sua superação.
A obra dedica atenção especial ao princípio da isonomia e à necessidade de um equilíbrio entre estabilidade e evolução do direito. O autor argumenta que, embora os precedentes garantam a coerência ao sistema jurídico, eles não podem impedir a adaptação do direito às mudanças sociais. Assim, a possibilidade de superação de precedente é um elemento crucial para evitar o engessamento da remessa.
Outro aspecto relevante discutido no livro é a comparação entre o modelo brasileiro e o anglo-saxão, onde os determinantes desempenham papel central na construção do direito. Teresa Arruda Alvim analisa as investigações do direito brasileiro, que, apesar de serem baseadas no direito civil, tem adotado progressivamente a cultura dos precedentes como forma de garantir maior previsibilidade e eficiência ao sistema judicial.
O autor também explora os desafios na aplicação da teoria dos precedentes no Brasil, incluindo a resistência de alguns setores do Judiciário à sua adoção, a falta de clareza na distinção entre precedentes obrigatórios e persuasivos e a necessidade de um esforço interpretativo mais específico por parte dos operadores do direito.
Com uma abordagem clara e didática, o livro é essencial tanto para acadêmicos quanto para profissionais do direito que desejam compreender como os precedentes estão moldando a revisão brasileira. A análise criteriosa de Teresa Arruda Alvim demonstra que o fortalecimento da cultura dos precedentes pode contribuir para um sistema judiciário mais eficiente, previsível e consistente, sem deixar de lado a flexibilidade necessária para sua evolução ao longo do tempo.